Nutrição

21/03/2016

*Por Juliana Perpétuo, nutricionista consultora Bodytech 

Exagerar na alimentação de vez em quando é um problema frequente. Normalmente ocorre quando as pessoas estão em festas ou em reuniões familiares. Porém, se você “volta e meia” se descontrola mesmo fora de situações “sociais” e come tudo que vê pela frente até passar mal, cuidado! Isso é um sintoma de compulsão alimentar.

O que leva alguém a comer além do que o corpo precisa, ou comer compulsivamente? Guardamos uma intranquilidade emocional dentro de nós, a qual chamamos de ansiedade. É o somatório de sentimentos mal resolvidos: medos, culpas, tristeza, rejeição, mágoas...

Todos nós sofremos de algum grau de ansiedade. Quando esse grau se eleva, buscamos fugas em prazeres que mascaram temporariamente esse desconforto. A comida é uma das fugas mais utilizadas porque tem relação direta com prazer. O assalto à geladeira durante a noite também é característica da compulsão alimentar, um problema que atinge até 4% da população geral e 6% dos obesos --podendo alcançar metade dos indivíduos mórbidos, segundo dados da Associação Americana de Psiquiatria.

O compulsivo não tem hora para comer: é um "saco sem fundo" e abocanha qualquer coisa o tempo todo, mesmo quando o corpo não precisa de energia. Como consequência, 75% das pessoas com esse distúrbio químico nos mecanismos da saciedade ganham muito peso, pois consomem mais calorias do que precisam por dia, principalmente na forma de doces e gorduras. Aquelas que não engordam, segundo o endocrinologista Alfredo Halpern, são porque têm compensação calórica inconsciente ou um metabolismo muito bom.

A compulsão alimentar não tem uma causa específica reconhecida. Sabe-se que o mecanismo de saciedade é regulado pelo hipotálamo e imagina-se que possivelmente haja um transtorno nesse mecanismo. Em geral, compulsão alimentar está associada a sentimentos de ansiedade e depressão, mas pode também acontecer nos indivíduos bipolares e naqueles com transtornos da personalidade que apresentam comportamentos de excesso em outras áreas, como beber, fumar, jogar, comprar, usar drogas etc.

O tratamento deve se iniciar com a avaliação de um profissional especializado em transtornos alimentares e que possa identificar a causa da compulsão alimentar, juntamente com uma equipe multidisciplinar (psicólogo, nutricionista, psiquiatra).

Um histórico alimentar completo irá ajudar o especialista a identificar os eventos e desafios que causaram a predisposição ao problema. O tratamento deve cuidar dos aspectos físicos e emocionais, e deve compreender mais do que apenas o relacionamento com os alimentos, mas a pessoa inteira.

Confira estratégias para driblar a ansiedade e a compulsão:

1 - Evite beliscar: esta é a primeira dica. Programe-se para comer em horários determinados e coloque-se a regra de só comer nos horários estabelecidos. Um grande disparador para a compulsão é o ato de beliscar a todo o momento. Então, discipline-se nos horários, ok?

2 - Afaste-se do objeto de sua compulsão: se você tem compulsão por doces, por exemplo, passe um mês sem comer doces. Quando fazemos longas omissões como esta, quebramos o principal gatilho da compulsão: o vício. É preciso que o seu corpo e seu cérebro se desvinculem do alimento que você tem compulsão, ok? Eu sei que é difícil, mas é possível e FUNCIONA!

3- Busque outras fontes de prazer: a compulsão normalmente se origina da necessidade de preencher um "buraco" interior produzido por algum estresse ou problema, por isso sentimos uma sensação de prazer que "anula" momentaneamente a dor que sentimos. Mas o ideal é buscar outras fontes de prazer, como ler um livro, ver um filme, escutar uma boa música ou passear com o seu cachorro. Lembre-se que vontades momentâneas passam desde que você não dê asas a elas.

4- Procure manter um bom nível de desintoxicação interna: consuma água adequadamente, vegetais, frutas, farelos integrais, frutas oleaginosas e proteínas de boas qualidades. Só o fato de comer de maneira saudável já é uma poderosa arma contra a compulsão. Firme-se nessa dica diariamente!

5- Evite dietas muito restritivas: quando mais restrita sua alimentação for, mais você poderá ter crises de compulsão. A maioria dos meus pacientes que chegam ao consultório dizendo fazer restrições severas de carboidratos, por exemplo, diz ter passados por episódios de compulsão alimentar. Eu não me canso de falar: a chave é o equilíbrio, a reeducação. Quanto mais equilibrada for a nossa vida, na nossa alimentação, nos nossos horários, mais atitudes e comportamentos equilibrados ganhamos. Evite radicalismos e neuroses com alimentação. Elas só gerarão ainda mais problemas, e queremos equilíbrio!

6- Não faça jejuns prolongados: nem fique muito tempo sem comer --procure comer na média de 3 em 3 horas. Não vou discutir aqui se devemos comer de 3 em 3 horas para emagrecer ou não, e sim vou afirmar que você deve evitar o jejum para evitar assim a compulsão alimentar! Quanto mais tempo você fica sem comer, mais cresce a sua fome de leão, ou seja, aquela fome voraz que não passa tão rápido. Então, para conter e equilibrar a fome, fracione suas refeições.

7- Busque o autoconhecimento! Aproxime-se de você, da sua consciência, busque o domínio das suas próprias atitudes para que consiga livrar-se da compulsão, reduzir a ansiedade e emagrecer com maior facilidade. Procure ajuda!

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