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13/09/2016

Na última semana, pesquisadores australianos publicaram no Journal of Sports Science um artigo mostrando que é possível reduzir as forças de impacto com o solo por meio de uma corrida mais silenciosa. Estamos cansados de ouvir que a taxa de lesão na corrida não é baixa e muitas são as causas para isso, como erros de planejamento, falta de descanso, excessos de treinos, alimentação inadequada etc. No entanto, pesquisas recentes apresentaram uma importante relação entre a força de impacto com o solo e a incidência de lesões, principalmente fraturas por estresse, fascite plantar e lesões musculares. O objetivo do estudo, liderado por Xuan Phan, foi avaliar se, ao pedir para que corredores tentassem uma passada mais suave e silenciosa, a força de impacto vertical reduziria.

Foram avaliados 26 participantes, com média de 21 anos e sem sobrepeso. Foi solicitado que corressem em uma esteira, e um microfone localizado a 30cm captava o volume de sua pisada. Dos 26, 22 corriam com o retropé (parte de trás do pé - calcanhar) e 4 com o médiopé (meio do pé) ou antepé (ponta e dedos do pé).

Após a solicitação que corressem de maneira mais suave e com menos barulho houve uma redução significativa na intensidade da força vertical, assim como no pico inicial que ocorre quando tocamos solo. Vale ressaltar que dos 22 corredores de retropé, 16 adotaram uma postura em antepé ou mediopé, com aumento de quase 9º na flexão plantar, sem que isso lhes fosse solicitado. De maneira curiosa, os 6 que permaneceram correndo com o retropé também apresentaram redução das forças de impacto, mostrando que outras variáveis existem nessa direção, como uma melhor mecânica de corrida, alteração do número de passadas por minuto ou uma redução do comprimento dos passos.

O estudo ressalta que indivíduos que correm mais silenciosamente não necessariamente têm menor carga de impacto do que os que fazem mais barulho, pois muitas outras variáveis estão relacionadas à isso. No entanto, quando nos deparamos com corredores com lesões por sobrecargas repetitivas, como fratura por estresse, fascite plantar ou tendinites, o recurso do feedback auditivo e a solicitação de uma corrida “mais suave” é uma estratégia bastante eficaz no tratamento e na prevenção de novos quadros.

*Sérgio Maurício é ortopedista, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho e da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Corredor de Maratona e meia-maratona, é também praticante de triatlhon olímpico e fará seu primeiro meio-ironman no Rio de Janeiro, em novembro. Pratica natação, musculação e Indoor Cycle na Bodytech.

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