Lifestyle

07/08/2017

*Por Rafael Duarte, da Miramundos

Recentemente tive uma grande conquista pessoal: fiz a minha primeira Meia Maratona e a completei! E teve um gosto especial, não apenas pelos 21k percorridos, mas por ter simbolicamente fechado um ciclo de recuperação de uma lesão que me tirou do running há 5 anos. Eu já contei esta história aqui para vocês. Foi uma síndrome do trato iliotibial, um problema nos tendões nas laterais das pernas que não me deixou correr de 2012 a 2016 (foquei no montanhismo e mountain bike, meus focos principais no período).

Foi então só no fim do ano passado que consegui voltar a correr de leve, com o devido tratamento de fisioterapia associadoUm ano depois da volta ao asfalto, passei de meros 2km aos 21km nesta minha participação de estreia em uma meia na Asics Golden Run 2017 do Rio. Meu objetivo principal: apenas completar a prova. Afinal, até o mês passado, a maior distância que eu tinha percorrido de uma vez na vida eram os 16km dos treinos longos do último mês.

Desde o início do ano, coloquei na cabeça que queria correr esta meia. Para isso, fui aumentando aos poucos o volume e a intensidade dos treinos. Em janeiro, já corria 7,5km a cada treino, variando aos poucos a minha velocidade para melhorar meu tempo. Depois fui aumentando a distância de 500m em 500m até os 10km.

Daí em diante fui avançando de km em km até os 16km do meu último longo. E estava me sentindo muito bem. Respeitando os limites da dor, para não forçar a lesão, e evoluindo cada vez melhor a minha capacidade cardiovascular. Passei a correr medindo meus batimentos cardíacos, o que me ajudou muito a entender a minha performance e a racionalizar melhor meu processo de esforço e evolução.

Foi então que chegou o grande dia! Com a corrida marcada para 7h, acordei às 5h15 para tomar café da manhã com calma, rico em carboidratos e ingredientes leves. Fiz um pouco de liberação miofascial (aquele treinamento do rolo que me ajudou na recuperação) para melhorar a amplitude dos movimentos e fiz os exercícios funcionais de aquecimento que o professor Bruno França (BT Gomes Carneiro, Ipanema), tinha me recomendado. Cheguei no Leblon, onde foi a largada faltando pouco para começar. O dia estava lindo. Nem muito frio nem muito quente e os 8 mil corredores pareciam estar no gás para a largada.

Golden Run é conhecida no meio como uma prova de alto nível, pois por ter o percurso praticamente todo plano e por ser realizada em temperaturas amenas, os corredores procuram participar dela para dar sempre seu melhor para bater seus recordes pessoais. Ou seja, muitos ali não estavam só querendo completar como eu, marinheiro de primeira viagem. Eles queriam se sacrificar para diminuir suas marcas.

Não vi passar os primeiros quilômetros. Quando me dei conta, depois da euforia da largada, já estava na orla de Copacabana. Foi quando vi que estava correndo em um pace muito abaixo daquele que estava treinando. Foi quando resolvi tirar o pé e diminuir minha velocidade para o ritmo leve/moderado que tinha treinado. É difícil ver a massa te ultrapassando. É péssimo para a cabeça. Mas pior seria “queimar a largada” esticando a corda do físico no início e sofrer as consequências no final, podendo botar em jogo o esforço de todo o ano. Temia sentir a lesão e ter que abandonar a prova.

Mas fui bem, num ritmo constante e conservador curtindo o clima e o visual da Praia de Botafogo com o Pão de Açúcar crescendo ao nosso lado e depois à frente. Que prova linda! Deu a sensação de abraçar a cidade de um jeito único. De ter o Rio para a gente por algumas horas. Quando alcancei o aeroporto Santos Dumont, pelo km 15, conferi meu tempo e vi que estava bem e com folga. Me sentia tranquilo, com cansaço dentro do normal e num pace mais baixo do que eu tinha pensado que conseguiria fazer (depois tomei bronca do meu fisioterapeuta Alessandro por causa disso).

A partir dali, tudo seria novidade. Depois da sacrificante volta pelo Centro, em que o percurso serpenteou entre prédios, paralelepípedos, ruas esburacadas e gradis com curvas fechadas, finalmente alcancei a reta final do Aterro do Flamengo, já no caminho de volta em direção à Praia de Botafogo, acelerei um pouco e consegui ir mais forte até o km 19, quando meu joelho deu sinais de fadiga. Diferente do que gostaria, que seria aquele momento do sprint final, tirei o pé mais uma vez. Olhei pro meu tempo e vi que estava muito bem em comparação aos meus treinos. Seria desnecessário forçar mais. E segui tranquilo até a linha de chegada, completando bem a minha primeira e inesquecível meia.

A cereja do bolo foi fechar abaixo da “barreira das 2h”, com tempo de 1:59:11 num pace médio de 5:40. Com esse ciclo, tirei algumas lições muito válidas, que apesar de simples, às vezes são negligenciadas. Eu aprendi a lidar melhor com a paciência, que muitas vezes me falta, para poder lidar com a evolução paulatina dos treinos e da recuperação da lesão. Também a importância de acompanhamento especializado para dar as devidas orientações. E realizar na prova a realidade mais próxima do que foi feito no treino. Daí a importância de correr em treinamento a distância da prova para ver como o corpo responde.

Confira só minha trajetória durante a prova:

Relive '21k Asics Golden Run' from Miramundos on Vimeo.

Vi que é muito bom participar de provas assim para ter sempre um objetivo físico a ser alcançado nos períodos entre uma expedição e outra da Miramundos. E ficou a sensação de que os 21km me credenciaram para um novo nível nesse mundo do running. Depois de alguns dias de descanso... os treinos vão continuar.

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